domingo, 14 de março de 2010

Pedido


Não digo que vais me encontrar sobre a mesma lua,
Aquela lua que foi minha e tua já se desfez.
Não digo que vais me encontrar como se fosse só tua,
Tua eu era quando teu desejo me pertencia.
Quando fores buscar-me,
Busque-me no abismo que caímos
Ou nas coisas que deixamos para trás
Quando resolveres buscar-me
Querida, não me busque, procure paz.

Se tu me procuras deve haver um motivo,
Quem  te manda procurar, não sei.
Só sei que não te quero mais agora,
Nem outrora, não quero sentir outra vez.
Ela me enroscava sobre seu manto de seda,
E eu aceitei.
Caímos juntas mais uma vez.

Apareces calada,
Assim como o vento bate na água,
E água por sua vez recua,
Mesmo sendo mais forte.
O vento faz o mar ter inconstantes ondas,
E tu me faz viver inconstante, sempre.
Assim como o mar.
Desde já deixo um pedido,
Ó tão vil e perversa
Tu que provocas medo nos homens
Tu que andas por aí calada
Nas mentes, nos corações,
Tu que acredita ser lúcida e correta,
Sem imperfeições.
Deixe-me em paz,
Por mais que queira buscar-me,
Não me busque!
Deixe-me viver a tua sombra,
Mas não ao teu lado,
Deixe-me apenas te conhecer,
Para saber que devo manter-me afastada, sempre.
Pena que não me escutas.

- Priscila Cavalcanti.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Carnaval










A alegria desce à rua com fitas coloridas
A marchinha murcha em pés desatentos
Ou nem tão desatentos assim.
A menina lá de cima grita: É carnaval!

Cores e serpentinas,
Pierrot e Colombina,
O sol marca dez da matina,
E ainda gritam: É carnaval!

Beijos descem a ladeira,
O suor escorre como cera,
A alegria é pó que brilha.
Correndo, e é carnaval.

Se a criança chora,
Se o povo grita...
Ninguém se importa
É carnaval!

Chove à noite e a festa não para,
A quarta brinda o fim da noitada,
E é o fim do carnaval.

sábado, 6 de março de 2010

Diretas

A falta de algumas coisas, que agora prefiro não citar, é fatal para tomarmos certas decisões. Algumas vezes, quando temos muita sorte acertamos na escolha, mas em outras vezes... Dar vontade de enfiar uma faca na cabeça pra ver se tem algo lá dentro.
Enfim, erramos varias vezes, muitas mesmo, sempre na tentativa de acertar, ou de se afogar, sei lá.
Mas se isso deixa algo bom é que de certa forma você conhece mais as pessoas, e acaba descobrindo formas diferentes para lidar com elas. É impressionante como algumas pessoas aparentam, mas não tem nada para oferecer, nada mesmo, até uma criança de cinco anos tem mais conteúdos para te passar do que elas. Acaba sendo até um tipo de humor negro isso, não sei se sinto pena ou se sorriu, pois é... Com a maturidade você aprende a nem sorri nem sentir pena, você aprende uma palavra chamada “indiferença”. Concluindo... Classificação para essas pessoas: fúteis ao extremo.
Contudo existem pessoas que te fazem ficar pasmas, nem tanto por sua capacidade intelectual e cultural, mas por serem pessoas tão novas, e já trazerem com sigo conceitos prontos, que às vezes eu até discordo, mas aprendo a respeitar. Pessoas tão novas que tem um conhecimento de mundo surpreendente, que sabem parar em um dia totalmente agitado, olhar pra cima e fazer poesia disso. Pessoas que trabalham a mente como ninguém, pessoas que sabem ir da loucura até a mais perfeita lucidez sem perder o rumo, são essas as pessoas que admiro e que tenho mais profundo respeito. Essas pessoas estão por aí no mundo, em lugares mais diversos possíveis, enquanto elas existirem minha luta não vai ser em vão, enquanto existirem essas pessoas sempre haverá esperança, sempre!

- Priscila Cavalcanti.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Condicional

E se fosse tempo ninguém sentia dor,
E a cor que sorria na tua face era apenas minha.
Se fosse triste, ninguém era feliz.
Felizes dizem que são, e eu apenas ouço.
Que quando toquei tua pele em cor de mel
Ameaçada pela força do desejo,
Que quando gritei teu nome,
Alegria eu era em noite de solidão.
E carmim que brilhava era mais puro,
De laço que se rompeu,
E confuso o vento adormeceu,
Em tua pele e minha.
E se tivesse cor,
Colorida era à noite,
E todo dia era carnaval,
E a alegria era mostrada escondendo a felicidade.
E se fosse verdade
Hoje a verdade matéria era,
E se fosse matéria
eu aprendia
Só pra ter, todos os dias, e dias...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

De passagem

Para novos e ancestrais amores,
Canto a canção do adeus.
No solo secam as flores,
E as luzes que tinham olhos teus.

Não digo que tua é minha culpa.
Esparramada, engatilhada,
Solitária e culpada.
Intensa e dura, paixão de jornada.


De olhos desesperados.
Boca tua na minha, calados.
Hoje correm as lágrimas de um lado
As mesmas do fogo apagado.

Contradições que atenuam ilusões.
Sonho momentâneo, intenso.
Confiável, adjetivo raro
Para quem vive uma vida em um segundo
Paixões são milésimos

Canto o adeus chorado,
E agora aliviado.
De lembranças é feito o passado.
O presente com um laço
Em tua boca amarrado.

Gritos, sussurros calados.
Que moram agora em lembranças.
O mar de saudades agoniado.

Minhas ondas,
Minhas esperanças,
Cantadas ao vento.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Desabafo Vespertino

Eu lembro quando o sol era fresco, e as flores resplandeciam as luzes, quando eu tinha você e tudo me parecia mais seguro.
Quantas vezes em tão pouco tempo cai ao teu lado, e quantas vezes você caiu ao me lado também.
Pois é amor, nós carregamos um ao outro por um longo tempo, e confesso que me acostumei com isso.
Bem, não sei quem está partindo agora, sei que estou me partindo ao meio desejando que minha outra metade ficasse contigo.
E se o impossível se tornou possível por esse tempo, aconteceu só porque eu estava contigo. E se hoje eu enxergo o mundo de outra forma... Agradeço-te por isso.
Não vou te falar que de agora em diante tudo será escuro para mim, como se você tivesse levado o meu sol, também não posso te falar que não sentirei mais o perfume das rosas.
Mas posso te afirmar que nunca mais olharei para o céu como olhava ontem e via só sinais do bom tempo, hoje vejo chuvas tempestivas querido.
As rosas não têm mais aquele cheiro de vinho embevecido com perfume, os pássaros não cantaram mais aquela canção que só nós ouvíamos.
Algumas lembranças suas ainda me fazem rir, como aquela sua conversa sem nexo, aqueles seus papos infantis que eu tanto conhecia, aquele modo que você me olhava quando não gostava de algo, enfim... Eu tenho medo que esse maldito tempo leve as coisas que não quero perder, nunca.
Pois é querido, o tempo passou e nossa situação se tornou um pouco complicada, não nos partimos por causa de uma batalha, mas porque a guerra acabou tendo muitas perdas, mais do que eu esperava, e acho que você também.
Íntimos que éramos, hoje nos tornamos apenas estranhos, dois estranhos que tem em comum o desejo de permanecerem juntos, para sempre, mesmo sem saber quanto tempo esse ‘para sempre’ possa durar.
Entristece-me saber que a nossa ideologia foi maior que o nosso amor.
Você seguirá seu caminho, e eu seguirei o meu. Um dia pela força do destino ou só para maltratar mais os nossos corações nos veremos por aí, e então não conseguiremos mais enxergar nossas almas, como acontecia antes... Os estranhos agora se tornaram cegos.
Mas eu continuarei te amando ao sentir a ausência do vinho nas rosas.

- Priscila Cavalcanti;

domingo, 20 de dezembro de 2009

Dias de dezembro

Ela partiu em dias ensolarados de dezembro carregando consigo um pequeno ser. Ser que a partiu e levou de mim os belos olhos iluminados de luar.

Ela gritou durante a noite, quando as ilusões noturnas me atingiam, despertei com agulhas furando meus ouvidos, e olhei de lado a procura dos olhos de luar. Alvos e famintos pela salvação da dor que a golpeava. O vinho derramado em sedas brancas formava uma mórbida cena, qual eu nunca quisera presenciar, dedos tocavam sua pele em busca de cessar o vinho, eu gostava da cor, mas repelia o cheiro. Outras agulhas dessa vez mais grossas perfuraram minha audição, e quando dei por mim estava gritando, pedindo a Deus salvação. Brancos entraram no quarto manchando-se com o vinho escorrendo pela cama, fiquei de pé e acompanhei a procissão, sabendo que o corpo adorado era também meu corpo, minha alma também estava ali.
E com o nascer do sol, eu senti que a perdia, assim como a criança perde a mãe, assim como o drogado perde a droga, assim como a noite perde a lua, eu sabia que ela não voltaria isso era um suicídio involuntário.

E fim.

Minha audição falhou e não ouvi mais a música de seu coração. O vento lá fora também parou, e ela partiu em dias ensolarados de dezembro. Minha alma também se foi, então o relógio parou.
Olhei sua face, seus olhos cerrados, tão belos olhos, que agora estavam escondidos pela cortina que não haveria mais de abrir. Sua boca de outono, sua boca outono, seus olhos cobertos, sua boca de outono, sua boca de outono, seus olhos cobertos.

Esconderam o vinho, limparam o vinho da seda. Eu não queria me manter sóbrio, não agora, não agora, não antes, tampouco depois de o cadáver desaparecer.

Estão gritando lá fora, estão gritando cada vez mais alto. Eles colocaram terra sobre o seu corpo, mas eu não entendia o porquê. Era tão belo, por que esconder a beleza? Por quê? Estão gritando lá fora, e eu entrei na casa vazia, não tinha nem se quer minha sede.

Uma música cantou em meus ouvidos, era sua voz, eu tinha certeza, a música era ela. Então foi um pesadelo? Não conseguia acreditar, foi apenas um pesadelo, um forte pesadelo, ela estava ali do meu lado, tão linda e mágica, tão mágica e linda. Estão gritando lá fora, estão gritando lá fora, estão gritando lá fora, estão gritando lá fora. MANDE-OS CALAR A BOCA!
Ela então sorriu pra mim, e sua boca era de verão, como antigamente. Um ardor de felicidade me consumiu inteiro, mas eles ainda não calavam a boca.

Passaram-se noites, e dias, e ela ainda estava ali. Eles não paravam de gritar. Sentia uma dor em minha barriga, ela reclamava, mas o som da música era mais forte. Minha garganta gritava por algo, mas eu não sabia o que era.

Estão gritando lá fora, mas eu não consigo entender, mas eu sei que estão gritando lá fora. Estão sim, por que você finge que não escuta? Por quê? Mande-os calar a boca, eu vou sair lá fora, e vou mandar, estão gritando muito, eles não se cansam.
Abri a porta, era estranho sentir o vento e o sol tocarem minha pele, quanto tempo fiquei trancando em casa com ela, e o medo de perdê-la? A música continuava junto com os gritos.

Os gritos vinham do rio, subi até lá pra ver, eles vinham das águas profundas, frias e límpidas. Por que a água do rio gritava comigo?

Meus olhos olharam de lado, em um súbito ímpeto a vi, sorrindo para mim, meu coração mais uma vez inundou de uma felicidade eterna. E as vozes cessaram.

Ela fez as vozes cessarem, eu sei que ela fez.

Ela caminhou, vestida em uma linda seda branca, ela caminhou.
Meu coração parou de espanto, quando vi que seus passos não se dirigiam a mim, o que eu fiz de errado? O que eu fiz de errado?

Ela pulou no rio.

Eu tenho que salva-lá.

A água me cobria, raivosamente, eu não entendia o porquê. Meus olhos não avistavam seu corpo, não conseguia encontrá-la.

Minha garganta ardia, meu nariz, tudo em mim queimava fortemente.

Eu a vi no fundo do rio.
- Priscila Cavalcanti.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Ando descançando

Meu coração foi descansando, e ando, ando
Por aí, só por andar.
Meu coração foi parando ando, e ando
Sem ter ninguém pra olhar.

Minha vida foi paralisando
E os gritos aumentando
E eu nem aí pra notar
Apenas escutar, apenas escutar

O chão em baixo dos pés foi se alargando
O amor de frágil foi me parando
E eu estava querendo apenas andar.

Meus medos me atrapalhando
Meus orgulhos me questionando
E eu queria apenas gritar.

Minha vida foi se perdendo,
Meus sonhos desaparecendo,
O gerúndio teve que mudar.

Apenas pra dizer que está doendo,
Os valores me fazem recuar.
Apenas mandam jogar fora o tormento
E minha vida mudar.

Os verbos foram aumentando,
A tristeza se consumando,
E meu coração não voltou a andar.

E com um coração descansado
Não me importava ando ou ado
Eu queria apenas amar.

Faço epílogo de um amor,
E me ponho a chorar a dor.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A bela adormecida

Antes de você dormir querida,
Eu preciso te contar a verdade
Por mais sina que tenha nossa vida
Mais vida de sina chega à realidade.

Antes de você se iludir com flores, cartas, e sabor
Tenho que te falar querida, das historias de amor,
Contar a verdade destruirá teus sonhos
Cairá em pleno pranto, mas depois não me ouvirá.

Prefiro te dizer agora querida,
Agora enquanto pouco crescida
Historia de amor nunca existirá

Haverá um tempo em tua vida,
Que isso vão te contar
Ficarás feliz e iludida
Até do sonho acordar.

Prefiro te alertar agora,
Enquanto dormes tranquila
Com medo de meu olho fechar.

Historia de amor querida,
Nunca existirá.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O Pianista

Buscando no nada algo que me complete. Buscando na dor algo que me faça recuar, algo que eu possa sentir antes do vazio. O vazio é o que deixa tudo mais escuro, tão difícil de enxergar quando não se tem nada pra ver. E por mais que a beleza procurada esteja distante, é o que eu consigo. Isso é o que me vai fazer completa por alguns segundos.
E em cada letra, parece que a dor é passada para o papel, o toque de uma letra cai como a nota de um piano. Um pianista deve está de acordo com o ritmo, mas de nada vai valer se ele não mostrar para si o verdadeiro motivo de notas em seqüência.
Sonhos foram destruídos, paixões acabadas, os gritos de socorro na madrugada se desfez com a perda da ilusão. E tudo que eu buscava, em tudo que clamava, parece que se funde em nada então. Então peço que não me atormente, em busca de perfeição, é tudo que eu posso mostrar agora.
Tento pensar em destino, em sina, em algo previsto. Atormenta-me a idéia dos acasos, e me confunde a idéia de ter sua vida toda pronta antes de ser realmente entregue a você.
A nota escondida da melodia só pode ser apreciada da forma correta pelo pianista. No entanto ele apresenta sua canção para o publico aflito, esperançoso, poucos amigos. Eles estão prestes a criticar, pois não acharam a nota escondida. Eles não conseguiram ver a chave da canção, e se você souber, por favor... Não conte! Tudo que é misterioso nos leva a incansável busca pelo entendimento, nem que seja parcial da canção, assim ela é tocada mais vezes, assim o pianista pode se contentar ao pensar que pode curar além de suas próprias feridas, as feridas de quem ouvem a nota escondida.
E os sentimentos vão conforme a melodia, eles te tocam, assim como o pianista pressionou o piano e sua mente em busca do melhor léxico, da melhor nota.
Seu cobaia, seu coração!
Ninguém na verdade saberá o que estava escondido. Ele encerra a canção pensando em ter preenchido o vazio do momento anterior, enquanto isso sonhos e duvidas se misturam com a notas, seu ápice o sentimento, sua desilusão a sua 1ª leitura. O sangue da canção pronta, ainda escorre por entre seus dedos, e ele tenta não se prender a ele, mas manter a mesma linhagem, o mesmo tipo. Seu coração informa que é tempo de parar, seus dedos estão fatigados de notas repetitivas em busca de perfeição, agora o momento mais esperado, o publico pode está de ouvidos cansados, ou pode está atento pelo desfecho das notas, ele mantém mais um segredo, mais um mistério, e encerra por aqui a canção.

- Priscila Cavalcanti.

sábado, 10 de outubro de 2009

Sobre o nome

Quando eu gritei teu nome,
Em noite escura de solidão.
O silêncio zombou num estante
E o medo me levou a perturbação.

Quando gritaste o meu nome,
Em clichê de segundos, disse não.
Era só mais um sonho profundo,
Eram meros devaneios sujos,
Que perturbava a imaginação.

Declamei teu nome em um abismo,
Com medo de reivindicação.
Dessa vez sai no prejuízo,
Teu nome me esperava no portão.

E quando tomei a decisão,
E quando a luz se mostrou no escuro.
Contradições vieram com tudo
Fazendo-me esquecer a opinião.

União de nomes é faca no escuro,
Acendo a luz, e me encadeio com o clarão.

E agora, que pra longe fostes,
Apenas teu nome, tenho a lembrar.
O dono que rumo tomou,
Que o destino se encarregou,
É mais fácil não procurar.

Esqueço-te pra não sofrer,
Sofro por perder você.
Segundos clichês, sempre tento perder,
Mas sempre tem teu nome a lembrar,
Mas sempre tem teu nome a gritar.

- Priscila Cavalcanti.

domingo, 20 de setembro de 2009

Madrugada dos loucos

Salvem-se os loucos,
Deixe os normais viverem aos choros.
Loucos como somos, somos poucos
Poucos como somos, somos loucos.

Românticos assim, tarjados de loucos,
Que por tão pouco, abrem a boca e reclama do outro.
Noite escura os românticos na rua,
E olham apenas a lua,
E olham apenas a lua.

Românticos, loucos, poucos.
Acredito na lucidez, e raridade que tem os loucos.
Quando é noite de lua cheia, a menina desenha na areia
O rosto do outro, aos poucos, aos choros.

Choros, risos, alegrias
Quanta magia há na vida de um louco
Nome da pessoa amada em noite de bruxaria.
Gritam: BRUXO NÃO, APENAS BOBO!

Bobos, loucos, tolos, românticos e poucos.
Espero um desse para compartilhar magia.
Digo bruxa não, apenas alegria.
Mas prefiro um bruxo que use magia.

Bruxo que digo, não confunda com o mito.
Bruxo que falo apenas o homem amado.
Que em noite de lua nova coloquei seu nome amarrado
Em areia perto da lua, junto do velho sapato.

Românticos somos, e não perdemos a regalia.
Contemplamos a lua da noite, mesmo em plena luz do dia,
Nossas mentes são feitas de sonhos,
E sonhos são só utopias.

- Priscila Cavalcanti.

sábado, 12 de setembro de 2009

Ritual

Eu precisava de um tempo,
Eu precisava remoer o vento em busca do cheiro teu.
Eu precisava deixar claro o tormento,
Deixar pedra em firmamento,
E teu nome junto do meu.

Escrevi pra iemanjá,
Deixei os sentimentos nas ondas do mar,
Só pra ganhar o peito teu.

Fiz simpatia em fita vermelha,
Fiz azul na areia,
Virarem meu e teu.

Mexi com o céu, mexi com a terra.
Fiquei só na espera, de teu beijo encontrar o meu.

Olhei a lua na rua deserta
Usei até cultura celta
A lua não me atendeu.

Fui à igreja do pelourinho,
Rezei pra Antonio, rezei pra Augustinho.
O que será que aconteceu?

Pedi a Deus com muita fé,
Agora sim, vai da pé,
E nada me ocorreu.

O que me resta nessa hora
É esperar que um dia, ou agora.
Teu olhar encontre de novo o meu.

E a magia que eu gostava,
Nessa hora ficou calada,
A fita vermelha seu rompeu.

A boca tua ficou gelada,
Minha boca anestesiada,
Quando teus lábios estavam de fronte aos meus.

Obrigada, a fé danada.
Deixo a luz, deixo a morada.
Levo comigo os olhos teus.

- Priscila Cavalcanti.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Chico pra Maria

Não te preocupa Maria,
Não voltarei mais a te importunar.
Não te preocupa Maria,
Esse tolo já cansou de te incomodar.

Nem por isso Maria,
Digo que te deixo de amar.
Nem por isso Maria,
Meu amor diminuirá
Saberei te esperar.

Quem sabe assim Maria,
Quando caminhares até meu destino.
Poderás ver Maria,
Que é só amor o que sinto.

Peço-te de mãos atadas Maria,
Que não demores até encontrar meu destino.
Noite sombria, tempo de romaria,
Meu destino é junto de Maria.

Não te demores Maria,
A perceber que meu lado é o lado teu.
Não te demores Maria,
A cada segundo que passa
É um beijo que perco seu.

E quando eu cantar Maria,
Será como se tu cantasses também.
Meu canto é o canto de Maria,
O canto de Maria é meu também.

Caibo-me no canto de Maria,
Maria cabe no meu canto também.
Madrugada só, perco a poesia,
Mas não esquecerei o canto de Maria.

Não calarás a fuga Maria,
Os sentimentos de madrugada fria.
Não calarás a alma minha Maria,
Enquanto tua boca não calar a minha.

- Priscila Cavalcanti.

domingo, 6 de setembro de 2009

Balada sem abalar

Eu acreditava que tudo poderia ser diferente, e foi bem diferente da minha crença. Não acredito em pessoas perfeitas, mas acreditei que você tivesse um pouco mais de anos na mente. E acreditando no sonho, eu fui. E por acreditar no sonho, meu sonho se desfez. Se eu não tivesse um sonho, talvez não sonhasse tanto.
Agora o que me resta é esquecer, esquecer é isso que eu tenho feito ao longo da minha vida curta em materia física, eterna na mente.

- Priscila Cavalcanti

sábado, 29 de agosto de 2009

Perfuração

A certeza do nunca é o que mais que incomoda, ela fica cravada em meu peito e me impede de manter-me em pé, continuo sangrado nas esquinas, nos bares, nos livros, nos filmes... Tudo faz lembrar você.
Uma estaca perfurando o meu coração, sinto que a cada dia perco mais as forças sinto-me caindo sobre um abismo onde nunca saberei se foi lá que você caiu também.
E por mais que o tempo passe, e a pele queira expulsar a estaca cravada em meu peito, e cicatrizar o local , mais parece que ela não quer sair. Eu tento puxa - lá com minhas duas mãos, mais a dor é mais forte quando tento arranca – lá.
Não se compara ao pior veneno, não se compara ao maior medo, a dor de ter algo que pode te matar aos poucos entrelaçada em sua pele, em sua alma é muito forte.
Ela prefere matar lentamente, assim como você se foi. Encontro sempre com o seu olhar preso em uma fotografia, isso faz a estaca perfurar outro vazo sanguíneo no meu coração, se torna algo que a medicina não pode explicar, só os que passam ou passaram pelo que eu estou sentindo agora sabem na verdade o sentindo da palavra dor, e não apenas o seu conceito.
Você se foi tão cedo, eu tive medo de dizer adeus, e agora? Meu coração é esmagado pelas mãos da incerteza, a palavra ‘nunca’ ecoa em minha mente, parece que ela sabe dos meus pensamentos... E se ela souber? Que privacidade vou ter para pensar em ti sem que ninguém saiba?
O sol nunca se mostrou depois de tua partida, o tempo frio já consumiu todo o meu calor, e acaba se tornando impossível manter a temperatura normal do meu corpo, ela vai ficar em equilíbrio emocional com o ambiente externo, e te garanto que lá é muito mais escuro e frio do que aquele poço que nós caímos algumas vezes.
A morte é tão contraditória, é tão fácil morrer o corpo, e tão doloroso e complicado morrer a alma.
Sinto-me tão sozinha agora, onde você está? A estaca ousa a penetrar mais em meu coração, em poucos minutos eu estarei provando da sensação mais obscura que muitos preferem nunca provar. Digo minhas ultimas palavras, elas sussurram o seu nome, fecho os meus olhos, espero...

- Priscila Cavalcanti.

domingo, 16 de agosto de 2009

A complexidade do amor

E ela foi novamente atrás do seu sonho, e qual era? Qual o sonho de uma simples garota, vivendo uma simples vida, de uma simples família, amando um simples rapaz? Ter apenas uma simples felicidade.
Ao chegar lá, não foi o esperado, o simples era pouco, e o muito era impossível. A vida era muita, complexa, complicada, a felicidade estava repleta de prazeres até aquele instante por ela desconhecidos.
E ao ver sua pouca pessoa, em meio de muita gente, se sentiu logo retraída e confusa. O seu prazer era apenas cultivar o sol e lua com olhares entrelaçados de sonho, paixão, medo, e felicidade, mesmo que simples, mas ela tinha desejo de felicidade.
Os prazeres agora eram complexos e impossíveis ao ponto de ela juntar todos os seus poucos na esperança de um muito, e essa tentativa ser totalmente fracassada, vendo ao ponto que a simplicidade nunca entrara naquele mundo de muitos, mas que na verdade está repleto de poucos. Pouca gente, pouca esperança, pouco sonho, pouca vida, pouco sol, pouca lua, pouca felicidade, mas por sua vez estava repleto de muito, muito dinheiro, muito prazer, muito luxo, AA que pena não posso continuar errando tanto esse gênero assim.
Ela foi, andou, vagou, verbalizou, cantou, disse ao mundo o porquê de está ali, ninguém a escutou.
Então ela voltou sozinha pra o seu mundo de pouco, mas que na verdade para ela a simplicidade era tão complexa que se tornava fácil, e se resumia em apenas simples e poucos verbos: AMAR, SONHAR, LUTAR, AMAR!
O amor por mais complexo e simples que seja, acaba se tornando o mais simples substantivo, e o mais complexo verbo para se conjugar. Ela aprendeu a usar a complexidade na simplicidade, a resposta foi simples, complexa e imediata: FELICIDADE!

- Priscila Cavalcanti.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Dia branco

Ao encontrar uma folha de papel em branco, me sinto uma criança, com a cabeça cheia de idéias, o destino daquela folha está em minhas mãos... Isso pode parece tolice para alguns, mas para mim não. Não é apenas uma simples folha, mas sim o objeto que farei uso para despejar em limitado espaço um pouco do que se passa em minha mente.
E logo vem a primeira duvida: “o que eu devo fazer?” Um desenho talvez... Adoro desenhar dias de sol e castelos, aprendi um dia na escola e nunca mais esqueci.
Mas penso de novo, e lembro os inúmeros castelos e dias ensolarados que tenho guardados em minha gaveta, foi esse o destino que dei para algumas folhas, elas não são admiradas por ninguém, nem são de tamanha beleza como as obras de Michelangelo, porém noto que elas são felizes, preenchi todo o espaço que elas tinham com amor, verdade, inocência, e amor mais uma vez... Amor nunca pode faltar ao escolher o grandioso destino de uma folha... Isso basta!
Tudo começa em uma folha em branco, a construção de um grande prédio, os belíssimos textos de inúmeros autores, os roteiros de filme, um ‘eu te amo’ de um filho para um mãe quando aprende a escrever, uma carta de alguém que mora longe e deseja amenizar a saudade da outra pessoa que a espera... A, são tantas as coisas das mais simples as mais complexas.
Uma folha de papel com o destino certo pode levar uma pessoa a diferentes lugares do mundo e da mente, pode ferir sentimentos, exaltar o amor, tocar o coração, se tornar uma canção, trazer sorrisos, lagrimas, esperanças... Que poder magnífico tem uma folha de papel...
Tem gente que a procura já tendo em mente o que vai fazer, tem gente que a encontra e daí decidi o que vai fazer, tem gente joga no lixo e perde a oportunidade de entender um pouco sua mente, seus pensamentos. E como se não bastasse ainda dizem a frase: ‘não tenho tempo para uma simples folha de papel em branco. ’ Não ter tempo para si é algo meio contraditório.
Hoje eu escolhi uma simples folha em branco, não queria uma folha perfeita, pois teria medo de errar... Então ela continuaria em branco, pois não teria coragem de cometer erros em uma folha perfeita.
Já em uma folha em branco mais simples, não teria medo de borrá-la, pois quando isso acontecesse lembraria da borracha esquecida em cima da mesa, apagaria tudo que não me fizesse bem, mesmo que ainda ficasse borrões eu saberia que foram eles quem me ajudaram a tornar o destino da folha mais bonito.
E um dia eu acabei descobrindo que eu poderia fazer a mesma coisa que eu faço com as folhas em branco em dias da minha vida.
Cada dia está pronto para ser desenhado do jeito que você quiser. Você tem um dia limpo, em branco, e cabe a você escolher o que fazer com ele. Pense bem, antes de escolher o destino de cada dia, você pode apagar aquilo que não te faz bem, aproveitar a folha e começar de novo.
Não jogue o dia fora fazendo aquilo que não te satisfaz, que não faz de você uma pessoa melhor.
São inúmeras as semelhanças entre o papel rabiscado com letras tortas, escrito um ‘eu te amo’, e o mais belo poema de Shakespeare . Todos eles começaram em uma simples folha de papel, e neles foram depositados sentimentos.
A folha em branco pode te fazer chorar, sonhar, sorrir, amar...
O que vai diferencia uma folha em branco das outras, é o que você vai fazer com ela.

- Priscila Cavalcanti

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Porta-Retrato

Eu sinto suas asas a tocarem minha pele na noite sobre o luar das estrelas, eu sinto a luz ao iluminar meu rosto toda manhã, sinto o frio do seu corpo toda a noite. Sinto uma estranha presença ao ouvir música, sinto algo tocar em minha mão ao olhar momentos presos em um porta-retrato. E por mais que eu queira, eu sei que eles não vão sair de lá. Ficaram presos, eternamente presos em uma fotografia. Preferia ter guardado todos esses momentos na minha mente, e toda vez que a solidão batesse, eu voltaria a eles e viveria tudo novamente, mas não... Mais triste ficaria ao acabarem essas lembranças, e notar que elas não vão passar da imaginação.
Preciso esquecê-las, preciso quebrar os porta-retratos da minha mente, rasgar a fotografia presa dentro deles, e queimar no mais puro fogo.
Talvez seja duro castigo fazer isso, ficarão estigmas desse fogo para sempre em minha alma. Mas o desespero bate á procura de algo para te esquecer.
Não consigo mais ficar presa em um mundo obscuro, negro, onde apenas eu tenho acesso a ele, e ainda assim esse acesso é restrito.
E no momento que cruzo com o fogo, você segura na minha mão, eu não vejo, mas eu sinto.
Não tem penas de mim? Quando o faz de conta acabar eu voltarei para o meu mundo de realidade, e você não estará lá. Anjo, por que fazes isso? Por que deixaste de ser um simples mortal assim como eu? Seria mais fácil te tocar, ouvir sua voz, falar-te palavras doces, ouvir-te, chorar ao teu lado, e ri na maior parte do tempo.
Preferistes virar um anjo.
Penso em ver-te todos os dias nas estrelas, mas no dia que chove, e o céu se cobre de nuvens negras penso ser um castigo, não tem estrela, não tem anjo, não tem vida.
E mais um dia se acaba no faz de conta, mais um dia se acaba na realidade.
Dou-te boa noite, e não tenho a certeza de sua resposta, não tenho a certeza que você escutou minha saudação.
Meras saudações rotineiras, não saem da rotina, mesmo sabendo que não fazem mais sentidos.
Os dias são noites, e as noites são mais frias.
A solidão dar medo, bela madrugada fria.
E já passou das 3 da madrugada, chove lá fora, e você ainda não resolveu sair.
Boa noite anjo. Dorme bem.
A chuva apagou o fogo que tentava destruir tuas lembranças.

- Priscila Cavalcanti.

domingo, 2 de agosto de 2009

Óculos Escuros

A magia de um ser se estabelece com uma relação no mistério, no improvável, no inesperado. Aquilo que se torna rotineiro para nós acaba se tornando simples e demasiadamente chato. Já aquilo que para nossos olhos é desconhecido, acaba por sua vez tocando o coração de alma transparente, você não vê, mas quem pode confiar em uma visão tão limitada a dos nossos olhos, que por sua vez nos mostram apenas corpos materiais, pobres olhos que se esqueceram de amadurecer, porém ao mesmo tempo transmite a alma pura de cada ser. Contradição essa não?
Às vezes colocamos os óculos escuros na tentativa de disfarce da alma, nos tornamos apenas meros observadores do material, e passamos a ser meros objetos de observação completamente sem alma.
E pergunto-me sempre, por que em tantas horas das nossas vidas preferimos colocar os óculos para disfarçar a alma? Será que a alma que habita em nosso ser é tão impura, indigna de ser mostrada? Por que em tantas situações rotineiras acabamos usando uma mascará para a alma?
É tão belo ver com o coração, que apenas simples rotinas acabam se tornando mágicas e prazerosas dádivas do cotidiano. Precisamos de muito pouco, apenas de tirar a mascará de nossa alma e deixá-la aparecer cheia de brilho, encanto, mistério... Mesmo que ela esteja ferida, ou ainda suja, será mais fácil de consertá-la, ou limpa-lá deixando-a aparecer, o sol assim terá mais facilidade de tocá-la retirar toda a tristeza, retirar as lagrimas que caíram em dia chuvosos e fazer de tudo isso um grande arco-íris contra a solidão.
Basta um simples gesto, ao sair de casa hoje, retire seus óculos e sinta o sol bater e sua alma. Pode ser que no começo sua visão reclame querendo permanecer na escuridão, mas logo ela se acostuma com a luz, por enquanto... Olhe com o coração.

- Priscila Cavalcanti.