terça-feira, 4 de agosto de 2009

Porta-Retrato

Eu sinto suas asas a tocarem minha pele na noite sobre o luar das estrelas, eu sinto a luz ao iluminar meu rosto toda manhã, sinto o frio do seu corpo toda a noite. Sinto uma estranha presença ao ouvir música, sinto algo tocar em minha mão ao olhar momentos presos em um porta-retrato. E por mais que eu queira, eu sei que eles não vão sair de lá. Ficaram presos, eternamente presos em uma fotografia. Preferia ter guardado todos esses momentos na minha mente, e toda vez que a solidão batesse, eu voltaria a eles e viveria tudo novamente, mas não... Mais triste ficaria ao acabarem essas lembranças, e notar que elas não vão passar da imaginação.
Preciso esquecê-las, preciso quebrar os porta-retratos da minha mente, rasgar a fotografia presa dentro deles, e queimar no mais puro fogo.
Talvez seja duro castigo fazer isso, ficarão estigmas desse fogo para sempre em minha alma. Mas o desespero bate á procura de algo para te esquecer.
Não consigo mais ficar presa em um mundo obscuro, negro, onde apenas eu tenho acesso a ele, e ainda assim esse acesso é restrito.
E no momento que cruzo com o fogo, você segura na minha mão, eu não vejo, mas eu sinto.
Não tem penas de mim? Quando o faz de conta acabar eu voltarei para o meu mundo de realidade, e você não estará lá. Anjo, por que fazes isso? Por que deixaste de ser um simples mortal assim como eu? Seria mais fácil te tocar, ouvir sua voz, falar-te palavras doces, ouvir-te, chorar ao teu lado, e ri na maior parte do tempo.
Preferistes virar um anjo.
Penso em ver-te todos os dias nas estrelas, mas no dia que chove, e o céu se cobre de nuvens negras penso ser um castigo, não tem estrela, não tem anjo, não tem vida.
E mais um dia se acaba no faz de conta, mais um dia se acaba na realidade.
Dou-te boa noite, e não tenho a certeza de sua resposta, não tenho a certeza que você escutou minha saudação.
Meras saudações rotineiras, não saem da rotina, mesmo sabendo que não fazem mais sentidos.
Os dias são noites, e as noites são mais frias.
A solidão dar medo, bela madrugada fria.
E já passou das 3 da madrugada, chove lá fora, e você ainda não resolveu sair.
Boa noite anjo. Dorme bem.
A chuva apagou o fogo que tentava destruir tuas lembranças.

- Priscila Cavalcanti.

Um comentário:

  1. amei, amei, amei, amei pri *O*

    e é de verdade, parabéns amr.
    helena r.

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