De novo batendo em tua porta,
Já se passa das nove e teu pai vai trabalhar.
Da janela de pandora gritas:
É tarde, podem acordar!
Com o medo de um lado
E a vontade d’outro
Olho pra janela de novo
Em busca de lá te encontrar
O que vejo é tua sombra,
Fazendo resta na cortina
Com os olhinhos de brisa
Se põe a me espiar.
Meus passos,
Oh... Por que caminhas para longe de minha amada?
A qual deixei acordada, a penar.
Oh noite cruel
Derramas todo o teu fel
Em uma noite de luar
Sonha querida,
Sonha querida amada
Embora acordada
Com os beijos que não lhe pude dar.
Eu caminho querida,
Entre esquina e esquina
Pensando quando eu me juntarei ao teu sonhar.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
sábado, 2 de outubro de 2010
Porto
A lógica se esvai com o vento
Do chão ao firmamento
Eu vou cantar.
Tua beleza de luz gritando
Meus ouvidos quase surdos a te escutar.
Tua beleza chorando,
E eu apreciando,
Ó tão lindo penar.
Ah, como és bela,
És minha de direito,
Onde nenhum dever se atreve a tomar.
Somente minha, te digo e te canto.
Te encanto só de falar,
O quanto és bela,
O quanto és minha,
O quanto és vida,
Minha sina.
O quanto padeço
Enquanto escrevo
Tão lindos versos
Em uma mesa de bar.
Peço uma musica,
Pura melodia,
De versos em rima
Só pra te ouvir cantar.
Amar-te, amar-te querida.
É minha sina e meu penar.
Calendário
Homem jogado ao lixo
Pensamentos vastos, em vão.
Primaveras e correntes do pacífico.
Exercitam a paciência.
São horas que se vão.
É verão,
É passado e presente
E a hora... É agora,
O chamado, o grito
O pensamento.
Na corrida, a queda,
Derrotada
A força
Desaparecida
Em invernos
E outonos.
E choros,
Sem velas,
Nem trela
O choro sozinho
A morte prevista
A alma chagada
O homem morto
Que irônia...
É inverno.
sábado, 11 de setembro de 2010
Prólogo
Eu descobri que estava com problemas quando comecei a ver defeito em tudo, em meus amigos, em minha família, em mim, até nas pessoas que inventava para poder pensar em alguém antes de dormir, até elas... Tinham defeitos, e os piores... Os meus.
A parti daí me afastei, me afastei de mim mesma para pode ter amigos, tive que me esconder, esconder minha moral para poder aceitar o outro, mas eu não sou assim.
A solidão me tornou uma pessoa inventada, mas isso não é hora de falar o que sinto, existem tantos problemas no mundo, e eu aqui falando do meu EU. Talvez amanhã converse com um amigo, fale com estranhos, sorria de coisas sem nexo. É apenas aquela, mais uma no meio da multidão estranha que passa.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Espiar
Doce luar, néctar dos deuses.
Escorrendo o desejo, por entre corpos
Assim... Como a natureza os criou.
Tocar de lábios,
Fúria entre os dedos.
A unificação.
Descobrir tecidos
Pele coberta com outra.
A lua nos vigia.
O medo, a fúria, o desejo.
A expressão do amor.
Fogo, fúria. Fervor.
Devorar, deliciar, devolver...
A pele minha que na tua ficou,
O amor meu que em teu peito fitei.
Os braços que contigo deixei
Abraços.
O desejo...
Esse levou comigo,
Para que eu possa buscar contigo outra noite de amor,
Sobre a luz do luar.
domingo, 11 de julho de 2010
Noves fora
Nosso, teu e meu
Em um que não se divide
A matemática da vida
Recuperação não existe.
A mágica, a lógica que imita
Soando flores unidas
Melodia.
Cor de alegria,
Gritos, sorrisos.
E quem chorou não conheceu o riso.
Grito meu, nosso e teu.
A festa da pulsação.
Harmonia de vozes.
Guia e sina.
Luz e dia.
Escuro e medo.
Ah Maria, quantas festas da vida
Onde a melodia foi tristeza.
Em um que não se divide
A matemática da vida
Recuperação não existe.
A mágica, a lógica que imita
Soando flores unidas
Melodia.
Cor de alegria,
Gritos, sorrisos.
E quem chorou não conheceu o riso.
Grito meu, nosso e teu.
A festa da pulsação.
Harmonia de vozes.
Guia e sina.
Luz e dia.
Escuro e medo.
Ah Maria, quantas festas da vida
Onde a melodia foi tristeza.
Do alto
Descendo a ladeira.
É dia de feira,
E Maria ta lá.
Sacola na mão, menino na outra.
A feira que é pouca
Dinheiro não tem pra comprar.
Seus olhos enxergam
Miséria maior que a sua,
Nem resta, mas ela dar.
Jesus vai recompensar.
Suor e lagrima,
Tristeza e mágoa,
Apagaram a chama,
Da vela que se tinha de acender.
É o que diz, e faz Maria dizer
Dinheiro não tem pra comer,
É dia de feira, e era pra ser um dia feliz.
Mas eu vejo só do alto.
E o culpado?
Do alto me ver.
Mas é só Maria,
De vida, de sina.
E de luz apagada.
-Priscila Cavalcanti
terça-feira, 20 de abril de 2010
A outra
Sufocando ventos noturnos
O olfato denuncia as flores.
Teu cabelo de diversas cores,
Cai sobre a terra.
Os botões,
Ora de rosas, ora de teu vestido.
O qual eu fazia abrigo,
Em noites de primavera.
Esmagando as flores,
Cheirando a jasmim,
Licor de lua que banha em mim,
E em tua pele desnuda.
Maldita hora que suga,
Os perfumes assim
Lembrando-me tão amargamente
Da dor que é partir.
A de quem falei me espera,
Irei à outra noite de primavera,
Guardarei no bolso o jasmim.
Promete-me que aguardarás o outono.
Quando deixarei cair em teu ombro
O teu nome despejado em mim.
- Priscila Cavalcanti.
O olfato denuncia as flores.
Teu cabelo de diversas cores,
Cai sobre a terra.
Os botões,
Ora de rosas, ora de teu vestido.
O qual eu fazia abrigo,
Em noites de primavera.
Esmagando as flores,
Cheirando a jasmim,
Licor de lua que banha em mim,
E em tua pele desnuda.
Maldita hora que suga,
Os perfumes assim
Lembrando-me tão amargamente
Da dor que é partir.
A de quem falei me espera,
Irei à outra noite de primavera,
Guardarei no bolso o jasmim.
Promete-me que aguardarás o outono.
Quando deixarei cair em teu ombro
O teu nome despejado em mim.
- Priscila Cavalcanti.
sábado, 3 de abril de 2010
Vita
A vida é complexa, nossa mente também é, tentamos fazer nossa vida caber em nossa mente, poucos conseguem.
Algo tão simples tem o poder de se revelar tão fascinante, misterioso, superior.
Tenho meus vícios e virtudes, construí valores que posso desfazê-los com o nascer do sol, formei juízos de valores, mudei os fatos, joguei errado e paguei pelo meu erro... E também pelo erro dos outros, realizei atos pensáveis e indispensáveis para minha construção interior, li e reli, acreditei e desacreditei no descrente, e no crente muitas vezes duvidei, chorei quando tinha vontade, ri antes da hora, tentei conhecer a mim mesmo, tentei conhecer a mente do outro. Amei... Como amei... E como me confundi ao achar que tudo era amor onde o que restava era o nada.
Por onde andei, por onde minha mente chegou além do meu corpo e do meu tempo, percebi o tamanho da importância que é o amadurecimento d’alma e a inteligência para se dar com tamanha complexidade. De nada adianta percorrer sete léguas com uma mala cheia e no ponto final não saber o que fazer com a bagagem... Enquanto corro atrás por respostas, as duvidas me perseguem.
É impressionante como alguns matam sua sede apenas com um copo d’ água, eles nunca descobrirão a sua fonte, e nem procurão descobrir. Vontade... Aquela que move o homem de acordo com os seus desejos, sejam os mais íntimos, sejam os mais sociais..
Perde tuas vergonhas e vestes, mostra-te assim como és, mesmo que doa... Derrube sonhos e reafirme pensamentos... Não, não te mostre assim tão desnuda, e tão faltosa de pudores, cobre-te com o véu dos sonhos e da esperança para que nunca deixemos de sonhar, de desejar.
- Priscila Cavalcanti.
domingo, 28 de março de 2010
Um de dois
Da janela que vejo tua pele na sombra,
Que apavora e grita sobre os meus olhos atentos,
Esperando uma brecha, uma flecha.
E me calas afugentando minha pele da tua,
Janelas cerradas, pálpebras fechadas.
Do interior tua pele com a minha
Entrelaçada entre lençóis
Laços, lagos e luzes.
Sombras sobre tua pele homogênea,
Que cai o fel do desejo
Ardendo por entre os dedos
Tentando atravessar tua pele, e ocupar apenas uma.
A unificação de sentimentos.
Um angelical cordão que me nutre.
Priscila Cavalcanti.
Que apavora e grita sobre os meus olhos atentos,
Esperando uma brecha, uma flecha.
E me calas afugentando minha pele da tua,
Janelas cerradas, pálpebras fechadas.
Do interior tua pele com a minha
Entrelaçada entre lençóis
Laços, lagos e luzes.
Sombras sobre tua pele homogênea,
Que cai o fel do desejo
Ardendo por entre os dedos
Tentando atravessar tua pele, e ocupar apenas uma.
A unificação de sentimentos.
Um angelical cordão que me nutre.
Priscila Cavalcanti.
domingo, 14 de março de 2010
Sacramento
E o pecado se fez carne
Na mente vil e santa.
A mão que afaga e canta
É a moral que arde.
Da luz que se fez dia
Da noite que se fez solidão
Da tristeza agora alegria
E o medo da repreensão.
Da costela se fez o pecado,
E o pecado nome ganhou.
Carmim doce amargo.
Efêmero desejo de um lado
Que na mente ficou,
E a carne enterrou.
- Priscila Cavalcanti
Pedido
Não digo que vais me encontrar sobre a mesma lua,
Aquela lua que foi minha e tua já se desfez.
Não digo que vais me encontrar como se fosse só tua,
Tua eu era quando teu desejo me pertencia.
Quando fores buscar-me,
Busque-me no abismo que caímos
Ou nas coisas que deixamos para trás
Quando resolveres buscar-me
Querida, não me busque, procure paz.
Se tu me procuras deve haver um motivo,
Quem te manda procurar, não sei.
Só sei que não te quero mais agora,
Nem outrora, não quero sentir outra vez.
Ela me enroscava sobre seu manto de seda,
E eu aceitei.
Caímos juntas mais uma vez.
Apareces calada,
Assim como o vento bate na água,
E água por sua vez recua,
Mesmo sendo mais forte.
O vento faz o mar ter inconstantes ondas,
E tu me faz viver inconstante, sempre.
Assim como o mar.
Desde já deixo um pedido,
Ó tão vil e perversa
Tu que provocas medo nos homens
Tu que andas por aí calada
Nas mentes, nos corações,
Tu que acredita ser lúcida e correta,
Sem imperfeições.
Deixe-me em paz,
Por mais que queira buscar-me,
Não me busque!
Deixe-me viver a tua sombra,
Mas não ao teu lado,
Deixe-me apenas te conhecer,
Para saber que devo manter-me afastada, sempre.
Pena que não me escutas.
- Priscila Cavalcanti.
sexta-feira, 12 de março de 2010
Carnaval

A alegria desce à rua com fitas coloridas
A marchinha murcha em pés desatentos
Ou nem tão desatentos assim.
A menina lá de cima grita: É carnaval!
Cores e serpentinas,
Pierrot e Colombina,
O sol marca dez da matina,
E ainda gritam: É carnaval!
Beijos descem a ladeira,
O suor escorre como cera,
A alegria é pó que brilha.
Correndo, e é carnaval.
Se a criança chora,
Se o povo grita...
Ninguém se importa
É carnaval!
Chove à noite e a festa não para,
A quarta brinda o fim da noitada,
E é o fim do carnaval.
sábado, 6 de março de 2010
Diretas
A falta de algumas coisas, que agora prefiro não citar, é fatal para tomarmos certas decisões. Algumas vezes, quando temos muita sorte acertamos na escolha, mas em outras vezes... Dar vontade de enfiar uma faca na cabeça pra ver se tem algo lá dentro.
Enfim, erramos varias vezes, muitas mesmo, sempre na tentativa de acertar, ou de se afogar, sei lá.
Mas se isso deixa algo bom é que de certa forma você conhece mais as pessoas, e acaba descobrindo formas diferentes para lidar com elas. É impressionante como algumas pessoas aparentam, mas não tem nada para oferecer, nada mesmo, até uma criança de cinco anos tem mais conteúdos para te passar do que elas. Acaba sendo até um tipo de humor negro isso, não sei se sinto pena ou se sorriu, pois é... Com a maturidade você aprende a nem sorri nem sentir pena, você aprende uma palavra chamada “indiferença”. Concluindo... Classificação para essas pessoas: fúteis ao extremo.
Contudo existem pessoas que te fazem ficar pasmas, nem tanto por sua capacidade intelectual e cultural, mas por serem pessoas tão novas, e já trazerem com sigo conceitos prontos, que às vezes eu até discordo, mas aprendo a respeitar. Pessoas tão novas que tem um conhecimento de mundo surpreendente, que sabem parar em um dia totalmente agitado, olhar pra cima e fazer poesia disso. Pessoas que trabalham a mente como ninguém, pessoas que sabem ir da loucura até a mais perfeita lucidez sem perder o rumo, são essas as pessoas que admiro e que tenho mais profundo respeito. Essas pessoas estão por aí no mundo, em lugares mais diversos possíveis, enquanto elas existirem minha luta não vai ser em vão, enquanto existirem essas pessoas sempre haverá esperança, sempre!
- Priscila Cavalcanti.
Enfim, erramos varias vezes, muitas mesmo, sempre na tentativa de acertar, ou de se afogar, sei lá.
Mas se isso deixa algo bom é que de certa forma você conhece mais as pessoas, e acaba descobrindo formas diferentes para lidar com elas. É impressionante como algumas pessoas aparentam, mas não tem nada para oferecer, nada mesmo, até uma criança de cinco anos tem mais conteúdos para te passar do que elas. Acaba sendo até um tipo de humor negro isso, não sei se sinto pena ou se sorriu, pois é... Com a maturidade você aprende a nem sorri nem sentir pena, você aprende uma palavra chamada “indiferença”. Concluindo... Classificação para essas pessoas: fúteis ao extremo.
Contudo existem pessoas que te fazem ficar pasmas, nem tanto por sua capacidade intelectual e cultural, mas por serem pessoas tão novas, e já trazerem com sigo conceitos prontos, que às vezes eu até discordo, mas aprendo a respeitar. Pessoas tão novas que tem um conhecimento de mundo surpreendente, que sabem parar em um dia totalmente agitado, olhar pra cima e fazer poesia disso. Pessoas que trabalham a mente como ninguém, pessoas que sabem ir da loucura até a mais perfeita lucidez sem perder o rumo, são essas as pessoas que admiro e que tenho mais profundo respeito. Essas pessoas estão por aí no mundo, em lugares mais diversos possíveis, enquanto elas existirem minha luta não vai ser em vão, enquanto existirem essas pessoas sempre haverá esperança, sempre!
- Priscila Cavalcanti.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Condicional
E se fosse tempo ninguém sentia dor,
E a cor que sorria na tua face era apenas minha.
Se fosse triste, ninguém era feliz.
Felizes dizem que são, e eu apenas ouço.
Que quando toquei tua pele em cor de mel
Ameaçada pela força do desejo,
Que quando gritei teu nome,
Alegria eu era em noite de solidão.
E carmim que brilhava era mais puro,
De laço que se rompeu,
E confuso o vento adormeceu,
Em tua pele e minha.
E se tivesse cor,
Colorida era à noite,
E todo dia era carnaval,
E a alegria era mostrada escondendo a felicidade.
E se fosse verdade
Hoje a verdade matéria era,
E se fosse matéria
eu aprendia
Só pra ter, todos os dias, e dias...
E a cor que sorria na tua face era apenas minha.
Se fosse triste, ninguém era feliz.
Felizes dizem que são, e eu apenas ouço.
Que quando toquei tua pele em cor de mel
Ameaçada pela força do desejo,
Que quando gritei teu nome,
Alegria eu era em noite de solidão.
E carmim que brilhava era mais puro,
De laço que se rompeu,
E confuso o vento adormeceu,
Em tua pele e minha.
E se tivesse cor,
Colorida era à noite,
E todo dia era carnaval,
E a alegria era mostrada escondendo a felicidade.
E se fosse verdade
Hoje a verdade matéria era,
E se fosse matéria
eu aprendia
Só pra ter, todos os dias, e dias...
domingo, 7 de fevereiro de 2010
De passagem
Para novos e ancestrais amores,
Canto a canção do adeus.
No solo secam as flores,
E as luzes que tinham olhos teus.
Não digo que tua é minha culpa.
Esparramada, engatilhada,
Solitária e culpada.
Intensa e dura, paixão de jornada.
De olhos desesperados.
Boca tua na minha, calados.
Hoje correm as lágrimas de um lado
As mesmas do fogo apagado.
Contradições que atenuam ilusões.
Sonho momentâneo, intenso.
Confiável, adjetivo raro
Para quem vive uma vida em um segundo
Paixões são milésimos
Canto o adeus chorado,
E agora aliviado.
De lembranças é feito o passado.
O presente com um laço
Em tua boca amarrado.
Gritos, sussurros calados.
Que moram agora em lembranças.
O mar de saudades agoniado.
Minhas ondas,
Minhas esperanças,
Cantadas ao vento.
Canto a canção do adeus.
No solo secam as flores,
E as luzes que tinham olhos teus.
Não digo que tua é minha culpa.
Esparramada, engatilhada,
Solitária e culpada.
Intensa e dura, paixão de jornada.
De olhos desesperados.
Boca tua na minha, calados.
Hoje correm as lágrimas de um lado
As mesmas do fogo apagado.
Contradições que atenuam ilusões.
Sonho momentâneo, intenso.
Confiável, adjetivo raro
Para quem vive uma vida em um segundo
Paixões são milésimos
Canto o adeus chorado,
E agora aliviado.
De lembranças é feito o passado.
O presente com um laço
Em tua boca amarrado.
Gritos, sussurros calados.
Que moram agora em lembranças.
O mar de saudades agoniado.
Minhas ondas,
Minhas esperanças,
Cantadas ao vento.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Desabafo Vespertino
Eu lembro quando o sol era fresco, e as flores resplandeciam as luzes, quando eu tinha você e tudo me parecia mais seguro.
Quantas vezes em tão pouco tempo cai ao teu lado, e quantas vezes você caiu ao me lado também.
Pois é amor, nós carregamos um ao outro por um longo tempo, e confesso que me acostumei com isso.
Bem, não sei quem está partindo agora, sei que estou me partindo ao meio desejando que minha outra metade ficasse contigo.
E se o impossível se tornou possível por esse tempo, aconteceu só porque eu estava contigo. E se hoje eu enxergo o mundo de outra forma... Agradeço-te por isso.
Não vou te falar que de agora em diante tudo será escuro para mim, como se você tivesse levado o meu sol, também não posso te falar que não sentirei mais o perfume das rosas.
Mas posso te afirmar que nunca mais olharei para o céu como olhava ontem e via só sinais do bom tempo, hoje vejo chuvas tempestivas querido.
As rosas não têm mais aquele cheiro de vinho embevecido com perfume, os pássaros não cantaram mais aquela canção que só nós ouvíamos.
Algumas lembranças suas ainda me fazem rir, como aquela sua conversa sem nexo, aqueles seus papos infantis que eu tanto conhecia, aquele modo que você me olhava quando não gostava de algo, enfim... Eu tenho medo que esse maldito tempo leve as coisas que não quero perder, nunca.
Pois é querido, o tempo passou e nossa situação se tornou um pouco complicada, não nos partimos por causa de uma batalha, mas porque a guerra acabou tendo muitas perdas, mais do que eu esperava, e acho que você também.
Íntimos que éramos, hoje nos tornamos apenas estranhos, dois estranhos que tem em comum o desejo de permanecerem juntos, para sempre, mesmo sem saber quanto tempo esse ‘para sempre’ possa durar.
Entristece-me saber que a nossa ideologia foi maior que o nosso amor.
Você seguirá seu caminho, e eu seguirei o meu. Um dia pela força do destino ou só para maltratar mais os nossos corações nos veremos por aí, e então não conseguiremos mais enxergar nossas almas, como acontecia antes... Os estranhos agora se tornaram cegos.
Mas eu continuarei te amando ao sentir a ausência do vinho nas rosas.
- Priscila Cavalcanti;
Quantas vezes em tão pouco tempo cai ao teu lado, e quantas vezes você caiu ao me lado também.
Pois é amor, nós carregamos um ao outro por um longo tempo, e confesso que me acostumei com isso.
Bem, não sei quem está partindo agora, sei que estou me partindo ao meio desejando que minha outra metade ficasse contigo.
E se o impossível se tornou possível por esse tempo, aconteceu só porque eu estava contigo. E se hoje eu enxergo o mundo de outra forma... Agradeço-te por isso.
Não vou te falar que de agora em diante tudo será escuro para mim, como se você tivesse levado o meu sol, também não posso te falar que não sentirei mais o perfume das rosas.
Mas posso te afirmar que nunca mais olharei para o céu como olhava ontem e via só sinais do bom tempo, hoje vejo chuvas tempestivas querido.
As rosas não têm mais aquele cheiro de vinho embevecido com perfume, os pássaros não cantaram mais aquela canção que só nós ouvíamos.
Algumas lembranças suas ainda me fazem rir, como aquela sua conversa sem nexo, aqueles seus papos infantis que eu tanto conhecia, aquele modo que você me olhava quando não gostava de algo, enfim... Eu tenho medo que esse maldito tempo leve as coisas que não quero perder, nunca.
Pois é querido, o tempo passou e nossa situação se tornou um pouco complicada, não nos partimos por causa de uma batalha, mas porque a guerra acabou tendo muitas perdas, mais do que eu esperava, e acho que você também.
Íntimos que éramos, hoje nos tornamos apenas estranhos, dois estranhos que tem em comum o desejo de permanecerem juntos, para sempre, mesmo sem saber quanto tempo esse ‘para sempre’ possa durar.
Entristece-me saber que a nossa ideologia foi maior que o nosso amor.
Você seguirá seu caminho, e eu seguirei o meu. Um dia pela força do destino ou só para maltratar mais os nossos corações nos veremos por aí, e então não conseguiremos mais enxergar nossas almas, como acontecia antes... Os estranhos agora se tornaram cegos.
Mas eu continuarei te amando ao sentir a ausência do vinho nas rosas.
- Priscila Cavalcanti;
domingo, 20 de dezembro de 2009
Dias de dezembro
Ela partiu em dias ensolarados de dezembro carregando consigo um pequeno ser. Ser que a partiu e levou de mim os belos olhos iluminados de luar.
Ela gritou durante a noite, quando as ilusões noturnas me atingiam, despertei com agulhas furando meus ouvidos, e olhei de lado a procura dos olhos de luar. Alvos e famintos pela salvação da dor que a golpeava. O vinho derramado em sedas brancas formava uma mórbida cena, qual eu nunca quisera presenciar, dedos tocavam sua pele em busca de cessar o vinho, eu gostava da cor, mas repelia o cheiro. Outras agulhas dessa vez mais grossas perfuraram minha audição, e quando dei por mim estava gritando, pedindo a Deus salvação. Brancos entraram no quarto manchando-se com o vinho escorrendo pela cama, fiquei de pé e acompanhei a procissão, sabendo que o corpo adorado era também meu corpo, minha alma também estava ali.
E com o nascer do sol, eu senti que a perdia, assim como a criança perde a mãe, assim como o drogado perde a droga, assim como a noite perde a lua, eu sabia que ela não voltaria isso era um suicídio involuntário.
E fim.
Ela gritou durante a noite, quando as ilusões noturnas me atingiam, despertei com agulhas furando meus ouvidos, e olhei de lado a procura dos olhos de luar. Alvos e famintos pela salvação da dor que a golpeava. O vinho derramado em sedas brancas formava uma mórbida cena, qual eu nunca quisera presenciar, dedos tocavam sua pele em busca de cessar o vinho, eu gostava da cor, mas repelia o cheiro. Outras agulhas dessa vez mais grossas perfuraram minha audição, e quando dei por mim estava gritando, pedindo a Deus salvação. Brancos entraram no quarto manchando-se com o vinho escorrendo pela cama, fiquei de pé e acompanhei a procissão, sabendo que o corpo adorado era também meu corpo, minha alma também estava ali.
E com o nascer do sol, eu senti que a perdia, assim como a criança perde a mãe, assim como o drogado perde a droga, assim como a noite perde a lua, eu sabia que ela não voltaria isso era um suicídio involuntário.
E fim.
Minha audição falhou e não ouvi mais a música de seu coração. O vento lá fora também parou, e ela partiu em dias ensolarados de dezembro. Minha alma também se foi, então o relógio parou.
Olhei sua face, seus olhos cerrados, tão belos olhos, que agora estavam escondidos pela cortina que não haveria mais de abrir. Sua boca de outono, sua boca outono, seus olhos cobertos, sua boca de outono, sua boca de outono, seus olhos cobertos.
Esconderam o vinho, limparam o vinho da seda. Eu não queria me manter sóbrio, não agora, não agora, não antes, tampouco depois de o cadáver desaparecer.
Estão gritando lá fora, estão gritando cada vez mais alto. Eles colocaram terra sobre o seu corpo, mas eu não entendia o porquê. Era tão belo, por que esconder a beleza? Por quê? Estão gritando lá fora, e eu entrei na casa vazia, não tinha nem se quer minha sede.
Uma música cantou em meus ouvidos, era sua voz, eu tinha certeza, a música era ela. Então foi um pesadelo? Não conseguia acreditar, foi apenas um pesadelo, um forte pesadelo, ela estava ali do meu lado, tão linda e mágica, tão mágica e linda. Estão gritando lá fora, estão gritando lá fora, estão gritando lá fora, estão gritando lá fora. MANDE-OS CALAR A BOCA!
Ela então sorriu pra mim, e sua boca era de verão, como antigamente. Um ardor de felicidade me consumiu inteiro, mas eles ainda não calavam a boca.
Passaram-se noites, e dias, e ela ainda estava ali. Eles não paravam de gritar. Sentia uma dor em minha barriga, ela reclamava, mas o som da música era mais forte. Minha garganta gritava por algo, mas eu não sabia o que era.
Estão gritando lá fora, mas eu não consigo entender, mas eu sei que estão gritando lá fora. Estão sim, por que você finge que não escuta? Por quê? Mande-os calar a boca, eu vou sair lá fora, e vou mandar, estão gritando muito, eles não se cansam.
Passaram-se noites, e dias, e ela ainda estava ali. Eles não paravam de gritar. Sentia uma dor em minha barriga, ela reclamava, mas o som da música era mais forte. Minha garganta gritava por algo, mas eu não sabia o que era.
Estão gritando lá fora, mas eu não consigo entender, mas eu sei que estão gritando lá fora. Estão sim, por que você finge que não escuta? Por quê? Mande-os calar a boca, eu vou sair lá fora, e vou mandar, estão gritando muito, eles não se cansam.
Abri a porta, era estranho sentir o vento e o sol tocarem minha pele, quanto tempo fiquei trancando em casa com ela, e o medo de perdê-la? A música continuava junto com os gritos.
Os gritos vinham do rio, subi até lá pra ver, eles vinham das águas profundas, frias e límpidas. Por que a água do rio gritava comigo?
Meus olhos olharam de lado, em um súbito ímpeto a vi, sorrindo para mim, meu coração mais uma vez inundou de uma felicidade eterna. E as vozes cessaram.
Ela fez as vozes cessarem, eu sei que ela fez.
Ela caminhou, vestida em uma linda seda branca, ela caminhou.
Os gritos vinham do rio, subi até lá pra ver, eles vinham das águas profundas, frias e límpidas. Por que a água do rio gritava comigo?
Meus olhos olharam de lado, em um súbito ímpeto a vi, sorrindo para mim, meu coração mais uma vez inundou de uma felicidade eterna. E as vozes cessaram.
Ela fez as vozes cessarem, eu sei que ela fez.
Ela caminhou, vestida em uma linda seda branca, ela caminhou.
Meu coração parou de espanto, quando vi que seus passos não se dirigiam a mim, o que eu fiz de errado? O que eu fiz de errado?
Ela pulou no rio.
Eu tenho que salva-lá.
A água me cobria, raivosamente, eu não entendia o porquê. Meus olhos não avistavam seu corpo, não conseguia encontrá-la.
Minha garganta ardia, meu nariz, tudo em mim queimava fortemente.
Eu a vi no fundo do rio.
Ela pulou no rio.
Eu tenho que salva-lá.
A água me cobria, raivosamente, eu não entendia o porquê. Meus olhos não avistavam seu corpo, não conseguia encontrá-la.
Minha garganta ardia, meu nariz, tudo em mim queimava fortemente.
Eu a vi no fundo do rio.
- Priscila Cavalcanti.
sábado, 12 de dezembro de 2009
Ando descançando
Meu coração foi descansando, e ando, ando
Por aí, só por andar.
Meu coração foi parando ando, e ando
Sem ter ninguém pra olhar.
Minha vida foi paralisando
E os gritos aumentando
E eu nem aí pra notar
Apenas escutar, apenas escutar
O chão em baixo dos pés foi se alargando
O amor de frágil foi me parando
E eu estava querendo apenas andar.
Meus medos me atrapalhando
Meus orgulhos me questionando
E eu queria apenas gritar.
Minha vida foi se perdendo,
Meus sonhos desaparecendo,
O gerúndio teve que mudar.
Apenas pra dizer que está doendo,
Os valores me fazem recuar.
Apenas mandam jogar fora o tormento
E minha vida mudar.
Os verbos foram aumentando,
A tristeza se consumando,
E meu coração não voltou a andar.
E com um coração descansado
Não me importava ando ou ado
Eu queria apenas amar.
Faço epílogo de um amor,
E me ponho a chorar a dor.
Por aí, só por andar.
Meu coração foi parando ando, e ando
Sem ter ninguém pra olhar.
Minha vida foi paralisando
E os gritos aumentando
E eu nem aí pra notar
Apenas escutar, apenas escutar
O chão em baixo dos pés foi se alargando
O amor de frágil foi me parando
E eu estava querendo apenas andar.
Meus medos me atrapalhando
Meus orgulhos me questionando
E eu queria apenas gritar.
Minha vida foi se perdendo,
Meus sonhos desaparecendo,
O gerúndio teve que mudar.
Apenas pra dizer que está doendo,
Os valores me fazem recuar.
Apenas mandam jogar fora o tormento
E minha vida mudar.
Os verbos foram aumentando,
A tristeza se consumando,
E meu coração não voltou a andar.
E com um coração descansado
Não me importava ando ou ado
Eu queria apenas amar.
Faço epílogo de um amor,
E me ponho a chorar a dor.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
A bela adormecida
Antes de você dormir querida,
Eu preciso te contar a verdade
Por mais sina que tenha nossa vida
Mais vida de sina chega à realidade.
Antes de você se iludir com flores, cartas, e sabor
Tenho que te falar querida, das historias de amor,
Contar a verdade destruirá teus sonhos
Cairá em pleno pranto, mas depois não me ouvirá.
Prefiro te dizer agora querida,
Agora enquanto pouco crescida
Historia de amor nunca existirá
Haverá um tempo em tua vida,
Que isso vão te contar
Ficarás feliz e iludida
Até do sonho acordar.
Prefiro te alertar agora,
Enquanto dormes tranquila
Com medo de meu olho fechar.
Historia de amor querida,
Nunca existirá.
Eu preciso te contar a verdade
Por mais sina que tenha nossa vida
Mais vida de sina chega à realidade.
Antes de você se iludir com flores, cartas, e sabor
Tenho que te falar querida, das historias de amor,
Contar a verdade destruirá teus sonhos
Cairá em pleno pranto, mas depois não me ouvirá.
Prefiro te dizer agora querida,
Agora enquanto pouco crescida
Historia de amor nunca existirá
Haverá um tempo em tua vida,
Que isso vão te contar
Ficarás feliz e iludida
Até do sonho acordar.
Prefiro te alertar agora,
Enquanto dormes tranquila
Com medo de meu olho fechar.
Historia de amor querida,
Nunca existirá.
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