Com os lábios atracados na pele do outro, ela respondeu:
- O desejo é forte, a carne é fraca, o pecado está feito, porém me arrependo de não ter cometido antes, os dias passam logo, amanhã eu também serei comida, dessa vez... Pela terra.
Quando o corpo cai ao chão, todos vão investigar o motivo da queda, porém esquecem que é tarde e nada mais pode ser feito para reverter o sangue derramado, eu dei as pistas... Elas foram jogadas ao leu, assim como minhas lagrimas. Sinto-me sozinha, e somente eu sei disso. A dor que sinto também é minha, não existem culpados é só uma mente que buscou sentido demais e encontrou apenas o vazio e a hipocrisia.
Deixar se entregar pode ser a maior forma de covardia e talvez não exista solução, eu estou preste a descobrir.
- Eu sempre me pergunto: Quando nos magoamos com o outro, a culpa é nossa por ter criado ilusões, expectativas... Ou do outro por ter nos feito acreditar em algo que realmente nunca existiu? Eu fico com a primeira resposta hoje, ontem eu não sabia que era responsável pelos meus atos, sentimentos, pensamentos, ilusões...
Eu descobri que estava com problemas quando comecei a ver defeito em tudo, em meus amigos, em minha família, em mim, até nas pessoas que inventava para poder pensar em alguém antes de dormir, até elas... Tinham defeitos, e os piores... Os meus.
A parti daí me afastei, me afastei de mim mesma para pode ter amigos, tive que me esconder, esconder minha moral para poder aceitar o outro, mas eu não sou assim.
A solidão me tornou uma pessoa inventada, mas isso não é hora de falar o que sinto, existem tantos problemas no mundo, e eu aqui falando do meu EU. Talvez amanhã converse com um amigo, fale com estranhos, sorria de coisas sem nexo. É apenas aquela, mais uma no meio da multidão estranha que passa.
A vida é complexa, nossa mente também é, tentamos fazer nossa vida caber em nossa mente, poucos conseguem.
Algo tão simples tem o poder de se revelar tão fascinante, misterioso, superior.
Tenho meus vícios e virtudes, construí valores que posso desfazê-los com o nascer do sol, formei juízos de valores, mudei os fatos, joguei errado e paguei pelo meu erro... E também pelo erro dos outros, realizei atos pensáveis e indispensáveis para minha construção interior, li e reli, acreditei e desacreditei no descrente, e no crente muitas vezes duvidei, chorei quando tinha vontade, ri antes da hora, tentei conhecer a mim mesmo, tentei conhecer a mente do outro. Amei... Como amei... E como me confundi ao achar que tudo era amor onde o que restava era o nada.
Por onde andei, por onde minha mente chegou além do meu corpo e do meu tempo, percebi o tamanho da importância que é o amadurecimento d’alma e a inteligência para se dar com tamanha complexidade. De nada adianta percorrer sete léguas com uma mala cheia e no ponto final não saber o que fazer com a bagagem... Enquanto corro atrás por respostas, as duvidas me perseguem.
É impressionante como alguns matam sua sede apenas com um copo d’ água, eles nunca descobrirão a sua fonte, e nem procurão descobrir. Vontade... Aquela que move o homem de acordo com os seus desejos, sejam os mais íntimos, sejam os mais sociais..
A vida, aquela que te abala, que te faz confundir sentimentos, aquela que te enlouquece, te testa, te joga em um abismo no qual você conhece o fim. Alguns a detestam, outros a amam, outros trocam de lado a cada dia, a cada boa noite, a cada beijo e a cada adeus. Quantos homens lutam para te despir, e tu te mostras cada vez mais faceira, mais vestida de duvidas.
Perde tuas vergonhas e vestes, mostra-te assim como és, mesmo que doa... Derrube sonhos e reafirme pensamentos... Não, não te mostre assim tão desnuda, e tão faltosa de pudores, cobre-te com o véu dos sonhos e da esperança para que nunca deixemos de sonhar, de desejar.
Da janela que vejo tua pele na sombra,
Que apavora e grita sobre os meus olhos atentos,
Esperando uma brecha, uma flecha.
E me calas afugentando minha pele da tua,
Janelas cerradas, pálpebras fechadas.
Do interior tua pele com a minha
Entrelaçada entre lençóis
Laços, lagos e luzes.
Sombras sobre tua pele homogênea,
Que cai o fel do desejo
Ardendo por entre os dedos
Tentando atravessar tua pele, e ocupar apenas uma.
A unificação de sentimentos.
Um angelical cordão que me nutre.
A falta de algumas coisas, que agora prefiro não citar, é fatal para tomarmos certas decisões. Algumas vezes, quando temos muita sorte acertamos na escolha, mas em outras vezes... Dar vontade de enfiar uma faca na cabeça pra ver se tem algo lá dentro. Enfim, erramos varias vezes, muitas mesmo, sempre na tentativa de acertar, ou de se afogar, sei lá. Mas se isso deixa algo bom é que de certa forma você conhece mais as pessoas, e acaba descobrindo formas diferentes para lidar com elas. É impressionante como algumas pessoas aparentam, mas não tem nada para oferecer, nada mesmo, até uma criança de cinco anos tem mais conteúdos para te passar do que elas. Acaba sendo até um tipo de humor negro isso, não sei se sinto pena ou se sorriu, pois é... Com a maturidade você aprende a nem sorri nem sentir pena, você aprende uma palavra chamada “indiferença”. Concluindo... Classificação para essas pessoas: fúteis ao extremo. Contudo existem pessoas que te fazem ficar pasmas, nem tanto por sua capacidade intelectual e cultural, mas por serem pessoas tão novas, e já trazerem com sigo conceitos prontos, que às vezes eu até discordo, mas aprendo a respeitar. Pessoas tão novas que tem um conhecimento de mundo surpreendente, que sabem parar em um dia totalmente agitado, olhar pra cima e fazer poesia disso. Pessoas que trabalham a mente como ninguém, pessoas que sabem ir da loucura até a mais perfeita lucidez sem perder o rumo, são essas as pessoas que admiro e que tenho mais profundo respeito. Essas pessoas estão por aí no mundo, em lugares mais diversos possíveis, enquanto elas existirem minha luta não vai ser em vão, enquanto existirem essas pessoas sempre haverá esperança, sempre!
E se fosse tempo ninguém sentia dor, E a cor que sorria na tua face era apenas minha. Se fosse triste, ninguém era feliz. Felizes dizem que são, e eu apenas ouço. Que quando toquei tua pele em cor de mel Ameaçada pela força do desejo, Que quando gritei teu nome, Alegria eu era em noite de solidão. E carmim que brilhava era mais puro, De laço que se rompeu, E confuso o vento adormeceu, Em tua pele e minha. E se tivesse cor, Colorida era à noite, E todo dia era carnaval, E a alegria era mostrada escondendo a felicidade. E se fosse verdade Hoje a verdade matéria era, E se fosse matéria eu aprendia Só pra ter, todos os dias, e dias...